segunda-feira, 10 de março de 2008

My Blueberry Nights

Quando Wong Kar Wai convidou Norah Jones para ser a protagonista do seu novo filme, ela recusou de cara. Ele se apaixonou pela voz dela e disse reconhecer nela uma aura de atriz. Apesar da cantora não ter nenhuma experiência no cinema, o diretor disse que sabia que ela era perfeita para atuar, que isso era instinto. Mesmo assim, Norah não se imaginava atuando e foi pega de surpresa, sem ao menos conhecer Wong Kar Wai ou seu trabalho.

Foi aí que ela assistiu Amor À Flor da Pele (In The Mood for Love/Fa yeung nin wa) e se apaixonou pelo trabalho dele. A cantora disse que era o melhor filme que já tinha assistido e voltou atrás na decisão, aceitando fazer o papel de Elizabeth em My Blueberry Nights (no Brasil, o título será Um Beijo Roubado).

Como um grande fã de Norah Jones, fiquei ansioso assim que soube que ela ia protagonizar um filme de Wong Kar Wai, ao lado de Jude Law, Rachel Weisz, Natalie Portman e David Strathairn. Eu mal podia esperar, e não esperei mesmo, já que o filme parece não ter data para estrear no Brasil. Enfim, assisti ao filme e apesar de ter lido muita crítica negativa por aí, adorei a ponto de indicá-lo a todos.

A atuação de Norah vem sendo bastante elogiada. A crítica afirma que ela foi muito bem como marinheira de primeira viagem, mas coloca que ao contracenar com Weisz ou Portman, a cantora praticamente desaparece. A verdade é que isso realmente acontece, como era de se esperar, mas nem tanto pelas atuações e sim pelo próprio roteiro. Os encontros de Elizabeth com as outras personagens são praticamente monólogos, onde ela é mera expectadora. Tenho apenas elogios a todos que atuaram no filme, pois realmente dão um show (inclusive Chan Marshall, aka Cat Power, que faz uma pequena participação). Além de tudo, a trilha sonora é belíssima e conta com duas músicas de Cat Power e uma inédita de Norah Jones, The Story.

My Blueberry Nights conta a história de uma mulher que resolve tomar o caminho mais longo para encontrar o amor. Após entrar num café, Elizabeth (Norah Jones) descobre que foi traída pelo homem que ama e enfrenta um turbilhão de sentimentos autodestrutivos, ficando inclusive obcecada pelo café em si, onde come uma fatia de torta de blueberry e conversa com Jeremy (Jude Law), dono do estabelecimento e portador da má notícia. Apesar desta ser a história central, o foco do filme nessas personagens acaba por aí. Quando surge um envolvimento entre os dois, ela percebe que não está pronta e embarca numa viagem de autoconhecimento através do país.

Durante sua jornada, Elizabeth encontra várias personagens com dramas próprios, e o filme segue então por caminhos pouco convencionais. Uma a uma, vemos a história de cada personagem, com seus problemas que em nada se assemelham à busca da protagonista, mas que lhe ensinam os tropeços da vida e mostram novos caminhos. A história de cada pessoa que ela encontra, molda a sua própria e permite que volte para casa, para o café e para Jeremy.

Embora algumas cenas sejam recheadas de exagero, como as entradas triunfais de Sue Lynne no bar repetidas vezes, tudo é feito com muito cuidado. Há uma plasticidade incrível que esbanja uma beleza estonteante até no cliché. Nada no filme é convencional: o ritmo, as histórias desconexas, o amor e até um simples beijo mostram-se únicos. No fim das contas, é um belo filme romântico, que deve agradar aos que têm sensibilidade para apreciar a simplicidade do amor. E é um filme feliz, apesar de recheado de pequenas tragédias.

Abaixo está o trailer e algumas fotos promocionais do filme (achei tão boas que não resisti e tive que postar).


Um comentário:

Natália Alem disse...

Assisti e gostei!!
Um filme leve, interessante, pouco convencional e vários toques inesperados.
Bjo!